
Alto custo dos insumos
Fertilizantes subindo bastante: aumentos de ~7-8% ou mais, dependendo do tipo (MAP, por exemplo), efeito de oferta internacional + câmbio pesado.
Dependência de insumos importados deixa o setor vulnerável às flutuações do dólar e dos preços globais.
Crédito rural e inadimplência
A inadimplência está crescendo: para muitos produtores, dívidas vencidas há mais de 90 dias se acumulam.
Recuperação judicial está em alta, mostrando que muitos produtores não estão conseguindo negociar suas dívidas ou cumprir compromissos financeiros.
Bancos estão reduzindo oferta de crédito ao setor por causa do risco cada vez maior.
Pressão climática
Estiagem pronunciada, irregularidades de chuva, eventos climáticos extremos afetando regiões produtoras essenciais. Exemplo: Rio Grande do Sul enfrentando grandes perdas em soja.
Essas condições aumentam o risco de safra, reduzem produtividade, muitas vezes obrigam cortes em insumos (como adubação) ou ajustes de planejamento.
Margens cada vez menores
Preços baixos das commodities, enquanto custos (insumos, transporte, energia, juros) sobem — isso reduz o lucro do produtor.
Relação de troca desfavorável: é preciso entregar mais produção para adquirir os mesmos insumos; algumas operações ficam no limite de viabilidade.
Logística / infraestrutura
Problemas de escoamento: estradas ruins, custos de transporte elevados, armazenamento insuficiente. Isso encarece e reduz competitividade.
Limitações no acesso a mercados dependem de infraestrutura, o que impacta especialmente pequenos e médios produtores.
Políticas, regulação e apoio público
Nem sempre há mecanismos eficazes de apoio, de renegociação de dívidas, de seguro agrícola ou de previsibilidade regulatória.
Juros elevados no país agravam o peso do financiamento, algo que muitos produtores têm sinalizado.
No setor do cacau, houve uma queda de 67% no recebimento de amêndoas no 1º trimestre de 2025 em relação ao último trimestre de 2024, o que evidencia déficit estrutural na produção.
Em Mato Grosso, somente ~38,4% dos produtores haviam comprado fertilizantes até fevereiro de 2025, bem abaixo da média das últimas safras.
No Rio Grande do Sul, grandes perdas na safra de soja — queda de ~27,4% frente à safra anterior; estimativas iniciais não se concretizaram devido à seca.
Endividamento elevado
Mato Grosso é o segundo estado com maior nível de endividamento agrícola no Brasil. Muitos produtores já reclamam que os juros atuais dificultam até mesmo saldar custos correntes.
Por exemplo, o grupo agropecuário Grupo Boffo do estado entrou em recuperação judicial com dívidas superiores a R$ 60 milhões.
Redução do VBP (Valor Bruto da Produção)
A crise afeta fortemente as culturas de grãos:
Para a soja em Mato Grosso, projeta-se queda de ~34,11% no VBP, de ~R$ 101,93 bi para ~R$ 67,16 bi.
Para o milho, uma queda ainda mais acentuada: ~39,31%, de R$ 40,64 bi para R$ 24,67 bi. Impactos climáticos / safras afetadas
Condições climáticas desfavoráveis (seca, irregularidade nas chuvas) são citadas como fatores principais para queda de produtividade e incerteza no planejamento das safras.
Déficit de capacidade de armazenagem e logística
Um dos gargalos apontados é o déficit de armazenagem em Mato Grosso. Isso significa que produtores ficam mais vulneráveis a perdas pós-colheita ou obrigados a vender precocemente em condições desfavoráveis.
A infraestrutura de escoamento ainda é crítica, especialmente em regiões mais distantes ou com menor acesso rodoviário adequado.
Dependência de crédito caro
Produtores cobram do governo linhas de crédito com juros mais baixos. A situação atual — com juros elevados — torna inviável muitas operações de custeio e investimento.
Recuperação judicial e falências
Alguns produtores/multinacionais locais já estão buscando recuperação judicial como saída diante do acúmulo de dívidas. Isso representa risco direto à continuidade de muitas fazendas e empresas auxiliares.
Desafios ambientais e regulatórios
Em Sinop, por exemplo, tem-se discutido e implementado sistemas de produção integrada (agricultura, pecuária, floresta — ILPF) como forma de mitigar riscos climáticos e ampliar resiliência.
Além disso, o avanço da fronteira agrícola em regiões próximas traz tensão entre expansão produtiva e exigências ambientais/regulatórias.
Pressão social e urbana
Como Sinop é uma “cidade plantada” (cresceu em torno do agronegócio), existe forte interdependência entre o rural e o urbano. Crises no agro repercutem em emprego, consumo, serviços, cobrança social, e muito mais em todos os setores da economia local.
Cortes de investimento
Produtores com margens muito apertadas podem desistir de implementar melhorias tecnológicas, sistemas sustentáveis ou diversificação, reduzindo competitividade no longo prazo.
Endividamento crônico
Quem acumulou dívidas pode ficar “preso” a opções restritas de crédito, ou até em risco de perder propriedades ou operações para credores ou regimes de recuperação.
Risco de liquidez / fluxo de caixa
Mesmo que a produção seja aceitável, dificuldade para venda, prazo, armazenamento ou custos altos podem comprometer o caixa no momento crítico da colheita.
Perda de mercado
Se os produtores não conseguirem atender exigências ambientais, de qualidade ou logística, poderão perder mercados mais exigentes — domésticos e externos.
Desinvestimento no futuro
Em cenários de crise, o foco recai no “sobrevivência do momento”, o que pode sacrificar investimentos em pesquisa, renovação de maquinário, capacitação, diversificação, etc.
Efeito colateral urbano / social
A crise no campo pode levar a redução de renda local, queda no consumo nas cidades vizinhas, migração rural para urbana, e pressão social sobre o poder público por soluções urgentes.
Vulnerabilidade climática maior
Produtores que deixarem de fazer práticas mitigadoras (como rotação de culturas, conservação do solo, uso adequado de insumos) ficam mais expostos a eventos extremos.