
Brasília — Mesmo sob prisão domiciliar e impedido de publicar, o ex-presidente Jair Bolsonaro continua ampliando seu domínio nas redes sociais. Seu perfil no Instagram já supera 27 milhões de seguidores, e o crescimento recente tem chamado atenção por ocorrer justamente no período em que ele está silenciado por decisão judicial. O engajamento permanece intenso, sustentado principalmente por apoiadores que seguem comentando e interagindo diariamente com conteúdos antigos.
Do outro lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vive cenário oposto. Seu perfil no Instagram mantém cerca de 13 milhões de seguidores, praticamente metade da base digital de Bolsonaro. Além disso, o governo enfrenta críticas pela dificuldade de mobilizar seguidores nas redes, onde a adesão orgânica tem sido baixa e incapaz de rivalizar com o dinamismo do público bolsonarista.
Analistas apontam que a diferença entre os dois perfis não é apenas numérica, mas também qualitativa: enquanto Bolsonaro, mesmo sem postar, mantém uma militância virtual ativa e altamente engajada, Lula depende de conteúdo constante, campanhas de comunicação e publicações institucionais para tentar manter alguma tração — normalmente sem grande repercussão espontânea.
A disparidade reforça um problema recorrente do atual governo: a incapacidade de gerar entusiasmo digital. Críticos afirmam que Lula não consegue dialogar com o público jovem, não inspira mobilização voluntária e aposta excessivamente em comunicação formal, produzida por assessorias, o que resulta em pouco alcance orgânico.
Enquanto Bolsonaro cresce mesmo em silêncio, Lula patina mesmo com toda a máquina governamental ativa. A diferença, que já ultrapassa 13 milhões de seguidores, não apenas evidencia o contraste entre as bases políticas, mas expõe a dificuldade do presidente em manter relevância digital diante de um adversário que, mesmo preso, segue dominando a atenção das redes.
Para apoiadores do ex-presidente, os números confirmam a força do movimento bolsonarista e revelam que tentativas de "desgaste digital" contra Bolsonaro têm surtido efeito inverso. Para críticos de Lula, o cenário mostra um governo desconectado da população e incapaz de competir na principal arena de comunicação política da atualidade: as redes sociais.